A solidão como atitude alheia

Daniel Miorim
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Daniel é sócio-fundador da Universidade Libertária. Institucionalista Moral Libertário. Totalmente individualista e acima de tudo libertário. Equipe da Fraternidade Libertária, Biblioteca Libertária e Anarcopop.

De muitas formas, somos convidados a entrar no assunto da solidão pela humanidade. Alguns são através de exemplos narrativos que mostram o conceito acontecendo a determinado sujeito, outros ainda tratam da solidão como fenômeno psicológico que se manifesta para o eu. Mas, hoje, proponho algo diverso.

Acredito que não temos motivos para acreditar que a solidão trate-se de fenômeno que possamos experienciar no outro na mesma medida em que em nós senão por analogia entis, já que nunca estamos verdadeiramente sozinhos em sentido lato.

Digo isso, porque temos um conjunto proposicional que foi nos dado por nossos pais, professores e colegas que permeiam aquilo que viemos a chamar de mente. Nossa ordenação de pensamentos é a seleção desse grande arcabouço que nos é gerado. Sendo assim, em sentido lato, nunca estamos sozinhos porque, ao pensarmos, o fazemos acompanhado por aquelas proposições que foram colocadas para nós.

A solidão real é, em si, solidão divina. Solidão na medida da incompreensão do outro acerca do estado atual do nós. Nós não conseguimos encontrar outro ser que tenha vivenciado o mesmo estado de coisas que nós e nesse sentido, somos tal como Deus que está sozinho em sua plenitude por ser sempre mais do que a identidade dos que o compõe.

Essa explicação parece descrever um estado de solidão eterno que se poria para todos. Mas a grande questão é justamente o motivo pelo qual, na maior parte do tempo, a solidão não se coloca para nós: Vemos uma disposição no outro para com o nosso estado de coisas.

A crença de que existe uma atitude alheia externa a nós mas direcionada para nós que busque uma unidade conosco é profundamente importante para entender como a solidão é superada. Lealdade, confiança, amor, todas essas palavras o são na medida em que descrevem atitudes alheias em relação a nós.

Assim, embora nossa solidão seja divina, o nosso conforto é bem humano e vem da crença aparentemente justificada que o mundo ao nosso redor possui interesse real sobre o nosso estado de conforto ou sobre coisas como os nossos objetivos em geral.

Se torna fácil entender então porque pessoas que usam máscaras sociais se sentem tão sozinhas. Sem uma conformação externa direta para qual associar seus interesses íntimos, a solidão é inevitável ainda que se veja profundamente acompanhado.


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