Anarcocapitalismo, o caminho

Gustavo Kaesemodel
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Formado na primeira turma da Pós-Graduação em Escola Austríaca de Economia pelo Instituto Mises e em Administração de Empresas com Foco em Marketing pela ESPM-SP, empreendedor e libertário. Autor do artigo A Autopropriedade e a Ética Libertária, publicado na Revista Mises. Tem como missão de vida divulgar o libertarianismo e fazê-lo acontecer na prática.

anarcocapitalismo

A transição para o anarcocapitalismo, um ideal de uma sociedade livre não vai acontecer da noite para o dia, é inevitável que ela aconteça em fases.

Cada uma delas tem suas próprias características e seus próprios desafios. Quem melhor descreveu essa transição e realizou uma previsão de como ela ocorreria, foi Samuel Konkin III, o principal autor do que é conhecido como Agorismo.

Diferente do que dá a entender a palavra, agorismo não vem de “agora”, no sentido de “no momento”, mas sim de ágora, local onde os gregos antigos realizavam suas trocas em um livre mercado e discutiam política.

As etapas são apenas uma categorização, sendo que as atividades podem estar em algum momento entre elas, assim como é possível que diferentes sociedades estejam em diferentes níveis nessa evolução na direção da liberdade (ou da Ágora).

Fase 0: Sociedade Agorista de Densidade Zero

Nesta fase ainda não existe nenhum agorista, apenas alguns libertários ou proto-libertários e algumas pessoas praticando a contra-economia (práticas econômicas que ignoram ou desafiam o estado).

Aqui, o importante é divulgar a mensagem e convencer mais pessoas a se tornarem libertárias ou agoristas, fortalecendo a base do anarcocapitalismo.

A consistência no discurso também é muito importante, devendo-se focar em educação, publicidade e recrutamento.

Fase 1: Sociedade Agorista de Baixa Densidade

Nesta fase surgem as primeiras pessoas libertárias e que utilizam ativamente a contra-economia, os agoristas.

Como o movimento ainda não é maduro o suficiente, são poucos os libertários que são verdadeiramente consistentes, gerando muitas divergências e conflitos sobre os caminhos a seguir.

Os mais impacientes vão defender ações como “fugir para a terra prometida” ou se engajar na política para “mudar o sistema por dentro”. Entretanto, essas ações apressadas tendem a não funcionar, uma vez que a conversão não acontece em massa, mas sempre indivíduo a indivíduo.

No Brasil, estamos entrando nessa fase, com constantes divergências entre os libertários. Nessa fase começam a surgir as primeiras Alianças de Novos Libertários (ANL), organizações de agoristas com o objetivo de praticar a contra-economia e espalhar o libertarianismo. A Universidade Libertária é um exemplo de uma ANL, visando o anarcocapitalismo.

Apesar de ser ainda não conseguirem se sustentar sozinhas, elas abrem o caminho para se entrar na fase 2.

Fase 2: Sociedade Agorista de Média Densidade e Pouca Consistência

É nesta fase que os libertários começam a ser notados pelo estado, acontecendo os primeiros ataques. O estado para de ignorar os agoristas e, vendo que estão crescendo, passa para o ataque público, desmerecendo as ideias. É pouco provável, mas é possível que aconteçam ataques violentos e prisões em massa contra os agoristas.

Para se chegar a essa fase o agorismo já tem que ter afetado de alguma maneira quase todas pessoas da sociedade. Assim, as primeiras organizações significativas surgem, podendo até ocupar algumas regiões geográficas. Os ataques estatais farão os agoristas se unirem e receberem a simpatia de outras pessoas.

A partir deste momento as ANLs já são economicamente viáveis, podendo se estabelecer para crescer de forma sustentável, inclusive servindo de exemplo para o resto da sociedade.

Aqui as conquistas não estão garantidas, as chances de retorno ao estatismo ainda são altas.

Fase 3: Sociedade Agorista de Grande Consistência e Alta Densidade

A partir da fase 3 o estado começa a colapsar. Os recursos estatais começam a ficar escassos e sua relevância na vida das pessoas cai drasticamente, uma vez que está sendo fortemente substituído pelas atividades contra-econômicas.

A situação se aproxima de um cenário sem volta para o estado, mas a reversão ainda é possível. Guerras e alta inflação de moeda estatal são altamente prováveis nesta fase, uma vez que os estatistas tentam resistir de toda maneira.

Até o momento em que, se sentindo acuados, partem para um último grande ataque. Se os agoristas obtiverem sucesso na resistência, o campo estará aberto para a transição para a última fase.

Ao contrário das outras transições, é bem provável que esta seja rápida e abrupta.

Fase 4: Sociedade Agorista com Impurezas Estatais

O estado caiu e as empresas privadas, competitivas, assumiram suas funções. Alguns resquícios de atividade estatal se mantêm, mas aos poucos vão sendo eliminados e os parasitas vão sendo incorporados à economia, tendo que produzir e agregar valor para receber. Possivelmente terão que pagar seus débitos com as pessoas produtivas.

Enfim, este é um resumo da visão agorista para a transição para o Ancapistão, local onde o anarcocapitalismo seria posto em prática. Uma transição gradual, mas não gradualista.

Para quem quiser saber mais:

KONKIN III, Samuel E. New Libertarian Manifesto. Koman Publishing, 1983.

KONKIN III, Samuel E. An Agorist Primer: Counter-Economics, Total Freedom, and You. KoPubCo, 2008.

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