Agorismo em Série: O Tamanho do Mercado Negro no Mundo

Taiane Copello
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Carioca, 22 anos, estudante de filosofia na UFRJ, escritora de artigos da Universidade Libertária, ex-coordenadora do projeto LibertaRio e do Grupo de Estudos Walter Block. Palestrou na Frente Libertária; publicou um artigo na Revista Pontes sobre filosofia austríaca; escreve monografia sobre Praxeologia; tem mais de dois mil e duzentos seguidores no twitter onde posta com frequência conteúdo libertário e demais temas que envolvam filosofia e economia.

No artigo anterior, compreendemos o que é essa coisa chamada de contraeconomia. No presente artigo, por outro lado, iremos entender o tamanho do mercado negro no mundo [1]. No entanto, levando em conta que ficou no ar as seguintes perguntas: Quão relevante ela é? Será que ela realmente tem impacto na economia mundial?

Para que isso fique claro, é imprescindível dizer que mensurar a contraeconomia é muito difícil, pela sua própria natureza. Os praticantes da contraeconomia precisam se esconder, por questão de proteger a sua própria segurança, então, apenas por esse motivo, já é muito difícil encontrar informações referente a esses mercados. Além disso, medir o tamanho de mercado já é uma tarefa complexa, normalmente a única forma é através dos relatórios governamentais utilizados para tributação. Mas, mesmo nesses casos, a tarefa é complexa, pois as pessoas podem reportar de forma errada, intencionalmente ou não.

Nessa direção, é necessário constatar que cada país tem suas próprias leis e suas próprias categorizações, tornando quase impossível a tarefa de comparar diferentes países. Entretanto, diversas organizações tem tentado de alguma forma mensurar partes da contraeconomia, normalmente com a intenção de oferecer bases para políticas públicas. As Nações Unidas, por exemplo, tem um escritório para “Drogas e Crimes”, em que faz relatórios anuais do número de apreensões de drogas, de armas, de animais selvagens e outras economias normalmente proibidas pelos estados.

Apesar de não divulgarem mais estimativas sobre o tamanho do mercado de drogas, eles fizeram essa estimativa em 2005. Nesse relatório de 2005, eles estimaram que em 2003 o mercado ilegal de drogas era de 320 bilhões de dólares no ano. Fazendo algumas estimativas baseadas nos números atualizados que a própria ONU oferece, como número de pessoas que utilizaram drogas ilegais e número de apreensões de droga, fizemos algumas estimativas, chegando em algo em torno 727 bilhões de dólares ao ano.

Para se ter uma ideia do tamanho desse mercado, isso representa 0,85{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a} do PIB mundial. E os dados não param por aí: a agricultura de todo o mundo representa 4{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a} do PIB mundial. Estamos dizendo que apenas o comércio de drogas ilegais é um quinto do tamanho de toda a agricultura. É muita coisa. E o comércio de drogas não é nem de perto o maior setor da contraeconomia. Quando olhamos para o mercado informal, esses números são absurdamente grandes.

Diversos estudiosos tentam estimar a economia informal, basicamente aquela economia não declarada ao fisco – o que é, claramente, uma sonegação. É quando uma pessoa vende a mercadoria sem a nota, é quando o funcionário que trabalha sem ser registrado, são os bicos ou freelances que são feitos sem emissão de nota fiscal… e todo tipo de transação que conhecemos e que fazemos frequentemente no dia a dia, muitas vezes sem nem questionar, que é um mercado informal, fora da economia “oficial”. Eis alguns dos modus operandi [2] do mercado ilícito.

O tamanho do mercado negro, nessa direção, irá variar muito de país para país, dependendo muito da legislação desses países. Quanto menos livre a economia é, quanto mais regulada ela é, maior é o tamanho da economia informal. Esta, por sua vez, acaba sendo a válvula de escape da população para esses problemas. Inclusive isso fica claro ao se observar que as ex-repúblicas soviéticas são as que mais tem um mercado informal, mesmo já tendo passado quase 30 anos da volta ao capitalismo.

Mesmo países que não ficaram presos ao passado comunista e abraçaram o capitalismo, como os países bálticos, conseguiram ir para níveis similares à Europa Ocidental, e isso apenas nos últimos 10 anos. E isso se observa ainda em outros pontos, como a diferença gritante entre os Estados Unidos e a Europa.

Enquanto o tamanho da economia informal nos Estados Unidos representa por volta de 5,4{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a}, todos os grandes países da Europa Ocidental, incluindo os nórdicos, tem taxas acima de 10{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a}. A única exceção é o Reino Unido, que tem 9,40{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a}. Além disso, como é de se esperar, a África tem taxas altíssimas, sendo que em alguns casos, como o Zimbabwe e a Nigéria, a economia informal representa mais de 50{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a} da economia oficial. Quando olhamos para o mundo como um todo, levantamos esses dados de diversas fontes e compilamos.

Se considerarmos esses dados, temos que a economia informal no mundo é de 11,7 trilhões de dólares. Sim, isso mesmo, quase 12 trilhões de dólares. Mais de 6 vezes o PIB do Brasil. Isto é, a economia informal no mundo produz, todos os anos, mais de 6 vezes de tudo que é produzido no Brasil. Ela representa 14{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a} de toda a economia mundial.

Com tudo o que foi dito até agora, esses números astronômicos só nos mostram como a realidade não pode ser restringida pelas leis estatais e pelo controle governamental. Por mais que tentem, as pessoas e a iniciativa individual são mais fortes e encontram uma forma de respirar e resistir às amarras estatais. E isso porque, até agora, falamos apenas de economia informal e drogas. Se adicionamos outros tipos de trocas voluntárias, como, por exemplo, a prostituição, esse número é ainda maior. Um estudo da Havocscope estimou o mercado de prostituição em 186 bilhões de dólares por ano, apenas para citar mais um exemplo. Se somarmos apenas esses três, estamos falando de 15{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a}. Não chegamos a estimar diversos outros mercados, que provavelmente não são tão grandes quanto esses, mas que movem grandes somas de valores, como contrabando de cigarros, eletrônicos, tráfico de animais, transporte de imigrantes e muitos e muitos outros setores.

Considerando esses fatores e outros mercados, podemos dizer com relativa assertividade que a contraeconomia representa entre 15{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a} e 20{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a} da economia
mundial. Também é importante lembrar que outros fatores não estão considerados nessa conta. Por exemplo, não consideramos a elisão fiscal, que, por ser uma forma legalizada de pagar menos impostos, não faz parte da contraeconomia, apesar de os governos não gostarem muito dela.

Também não consideramos a lavagem de dinheiro, porque não é um produto ou serviço, efetivamente não é uma troca que contribui para a economia, é apenas uma forma de colocar um dinheiro obtido na contraeconomia de volta na economia oficial. Apenas para se ter uma ideia, o ONU estima que algo entre 800 bilhões de dólares e 2 trilhões de dólares são lavados todos os anos, algo entre 2 e 5{7529245626f123a0a11bf41889cb8ba690cb90c74fae02a36ee52efe2dc2d99a} do PIB mundial. E quando olhamos para o Brasil, os números também são impressionantes.

Portanto, com tudo o que foi esclarecido, constatamos que todos esses números impressionantes que vimos, só demonstram um outro fator incrível do livre mercado: quanto maior o número de regulações e tentativas de controlar e impedir o seu funcionamento, mais o mercado negro e o mercado informal crescem e se fortalecem, demonstrando a impossibilidade técnica de se extinguir o livre mercado através da força.

NOTAS

[1] Mercado ilícito, aquele o qual a autoridade te proíbe de entrar em comércio.

[2] Modo de operar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KONKIN, Samuel. O Manifesto do Novo Libertário. Artigo publicado pela Libertyzine. 16 de março de 2017.

Agorismo: Liberdade Na Prática. Roteiro. Curso da Universidade Libertária. Sessão 1: Introdução; Sessão 2: O Que É O Agorismo?

Pesquisa: “O Tamanho do Mercado Negro”, em 8 de fevereiro de 2021. Acesso em: .


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