Praxeologia e Racionalidade – Resposta à Tabula Rasa

O presente texto é uma resposta ao texto do blog Tabula Rasa sobre a Praxeologia, no qual ele critica esta ciência.

Aqui analisarei separadamente cada uma das sessões do seu artigo e, depois, farei algumas análises próprias e finais em minhas próprias sessões.

1. O Que é a Praxeologia

Esta sessão apresenta um resumo do que é a Praxeologia e seus principais axiomas, a apresentação se da de forma quase perfeita, com o erro da falta do princípio da incerteza.

O autor parece acreditar que o axioma da ação humana por si só, explicitamente, já é uma rejeição direta do uso do método positivista para a análise da ação.

Isso está incorreto, é verdade que a Praxeologia rejeita o uso do método positivista para a análise da ação, porém explicarei mais a frente.

A Praxeologia é segundo Mises o estudo da ação humana, sendo a ação humana a manifestação da vontade.

“Praxeologia: do grego praxis – ação, hábito, prática – e logia – doutrina, teoria, ciência. É a ciência ou teoria geral da ação humana. Mises definiu ação como ‘manifestação da vontade humana’: ação como sendo um ‘comportamento propositado’.

A praxeologia a partir deste conceito apriorístico da categoria ação analisa as implicações plenas de todas as ações. A praxeologia busca conhecimento que seja válido sempre que as condições correspondam exatamente àquelas consideradas na hipótese teórica.

Sua afirmação e sua proposição não decorrem da experiência: antecedem qualquer compreensão dos fatos históricos.” Notas de Donald Stewart Jr. no Ação Humana.

A ação seria, assim, o processo subjetivo de escolha dos indivíduos entre seus possíveis fins (objetivos):

“É a ciência de todo tipo de ação humana. Toda decisão humana representa uma escolha. Ao fazer sua escolha, o homem escolhe não apenas entre diversos bens materiais e serviços. Todos os valores humanos são oferecidos para opção.

Todos os fins e todos os meios, tanto os resultados materiais como os ideais, o sublime e o básico, o nobre e o ignóbil são ordenados numa sequência e submetidos a uma decisão que escolhe um e rejeita outro.

Nada daquilo que os homens desejam obter ou querem evitar fica fora dessa ordenação numa escala única de gradação e de preferência.” MISES, Ludwig von. Ação Humana.

O axioma básico da ação humana é o de que humanos agem, ou seja, humanos manifestam sua vontade, humanos escolhem entre seus possíveis fins; e toda a ciência praxeológica se baseia neste axioma, buscando extrair todas suas conclusões dele através apenas do uso da lógica.

A ideia da metodologia utilizada na Praxeologia

Assim, todas as conclusões tidas por Mises e outros misesianos, se não contiverem nenhum salto ou erro lógico, são apenas verdades já contidas neste axioma e extraídas dele.

Sendo assim, negar a Praxeologia e suas conclusões é negar o axioma da ação, ou seja, é negar que humanos agem. Essa é a ideia na metodologia utilizada na Praxeologia.

“A praxeologia se baseia no axioma fundamental de que indivíduos agem, ou seja, no fato primordial de que indivíduos participam de ações conscientes visando objetivos escolhidos.

Esse conceito de ação contrasta com o comportamento puramente reflexivo, ou automático, que não é dirigido para objetivos. O método praxeológico estende, por dedução verbal, as implicações lógicas desse fato primordial.

Em resumo, a economia praxeológica é a estrutura de implicações lógicas do fato de que indivíduos agem.

Essa estrutura é construída sobre o axioma fundamental da ação, e tem alguns axiomas auxiliares, tais como os indivíduos são diferentes e que seres humanos consideram lazer como um bem valioso.

Para qualquer cético em relação a se deduzir de tal base simples um sistema inteiro de economia, eu recomendo o livro Ação Humana de Mises.

Além disso, uma vez que a praxeologia inicia com um axioma verdadeiro, A, todas as proposições que podem ser deduzidas desse axioma têm que ser verdadeiras, pois se A implica B, e A é verdadeiro, então B tem também que ser verdadeiro.”

ROTHBARD, Murray. Praxeologia: o Método dos Economistas Austríacos.

Mises faz conforme o texto de Tábula Rasa aponta, uma distinção entre ação e comportamento, ou ação e trabalho, e este é um ponto importante. Ação não é todo o tipo de comportamento humano, é apenas o comportamento que envolve a decisão entre fins.

E ação não necessariamente envolve o trabalho, existe ação ativa, que envolve o trabalho, e a ação passiva, que não envolve.

Exemplos para ilustrar:

1) um homem caminha até um shopping e compra um desodorante;

2) um homem, sentado em um banco, vê uma pessoa pedindo ajuda e não faz nada em relação a isso;

3) um homem é surpreendido por um cachorro e pisca em reflexo;

O primeiro e o segundo exemplo são ações, sendo o primeiro uma ação ativa e o segundo uma ação passiva. Já o terceiro não é uma ação, é comportamento sim, mas não ação.

E por que a Praxeologia nega o uso do Positivismo na análise da ação humana? Por causa do princípio da incerteza, Mises explica isso muito bem:

“Podemos supor que o resultado de todos os eventos e mudanças seja determinado unicamente por leis eternas e imutáveis que regulam a evolução e o desenvolvimento do universo.

Também podemos considerar a interconexão e interdependência de todos os fenômenos, isto é, sua concatenação causal, como uma realidade fundamental e suprema. Podemos rejeitar completamente a noção de acaso.

Mas, por mais que assim seja, ou pareça ser para uma mente dotada de uma inteligência perfeita, permanece indubitável que para o agente homem o futuro é desconhecido.

Se o homem pudesse conhecer o futuro, não teria que escolher e, portanto, não agiria. Seria um autômato, reagindo aos estímulos, sem vontade própria.

Alguns filósofos procuram desacreditar a noção de vontade humana, considerando-a uma ilusão, ou auto-ilusão, porque o homem tem fatalmente que obedecer às inevitáveis leis da causalidade.

Podem ou não ter razão, se estão referindo-se a uma força motriz fundamental ou a sua causa. Entretanto, no que diz respeito ao homem, a ação é algo definitivo. Não estamos afirmando que o homem seja “livre” para escolher e agir.

Simplesmente estamos enunciando o fato de que o homem escolhe e age, e de que os métodos das ciências naturais para explicar por que ele age de uma maneira e não de outra não são aplicáveis.”

MISES, Ludwig von. Ação Humana.

Rothbard Explicando de Forma Cristalina

“Além do mais, que um homem age implica que ele acredita que a ação fará alguma diferença; em outras palavras, que ele prefere a situação resultante da ação àquela de nenhuma ação.

Portanto, ação implica que o homem não tem conhecimento onisciente do futuro; pois se tivesse tal conhecimento, nenhuma ação de sua parte faria qualquer diferença. Assim, ação implica que nós vivemos em um mundo de um futuro incerto, ou não totalmente certo.

Assim, nós podemos retificar a nossa análise da ação e dizer que o homem decide empregar meios de acordo com o seu plano tecnológico no presente porque ele espera atingir seus objetivos em algum tempo futuro.”

ROTHBARD, Murray. Praxeologia: O Método dos Economistas Austríacos.

Ou seja, o princípio da incerteza é provado como uma implicação lógica do axioma da ação.

O axioma por si só, apenas da forma como é inicialmente apresentado, não diz nada sobre o uso de métodos positivistas para a análise da ação. Porém este princípio, que é uma implicação dele, diz, sendo assim, negar o princípio da incerteza é negar o axioma da ação.

2. Como podemos adquirir conhecimento sobre o mundo? E qual o lugar da ciência nisto?

Em seguida o texto aborda, em contraponto à Praxeologia, o método positivista e o Racionalismo Crítico.

A ideia central defendida é a de que não há princípio algum que não esteja passível de ser falseado, nem mesmo leis como as da aritmética ou da geometria, e que todas as ideias deveriam ser constantemente colocadas a prova para serem falseadas, sendo que quanto mais vezes passarem por este critério, mais chance haveria de serem verdadeiras.

Os autores mais utilizados como base nesta sessão são Quine e Popper, e, preciso dizer, meu texto é uma análise do artigo da Tábula Rasa, e não dos trabalhos destes autores.

Então não estarei analisando e criticando suas ideias a fundo, apenas falando sobre o texto da Tábula Rasa.

Este princípio da falseabilidade, de que todas as ideias (até mesmo “eu existo”, ou então, “1+1= 2″) precisam necessariamente ser falseáveis e que nunca teremos certeza absoluta sobre nada já foi refutado por Karl-Otto Apel.

O Argumento de Apel

Conforme argumenta Apel, se o princípio da falseabilidade fosse verdadeiro, ele deveria ser aplicado à si mesmo, ou seja, o próprio princípio não seria nada além de uma especulação que precisaria ser constantemente testada até o fim dos tempos, o que leva o princípio a refutar a si mesmo.

“That this is impossible is shown by the fact that the application of the principle of fallibilism itself leads to something similar to the ‘liar paradox.’ If the principle of fallibilism is itself fallible, it is just to that extent not fallible, and vice versa.

This application of the critical-rationalist principle of fallibilism to itself can hardly be rejected as meaningless by critical rationalists; for it is precisely they who absolutized the methodological principle of fallibilism beyond its original application to empirical science.

In my opinion, it follows from this, with all the clarity one could wish, that pancritical rationalism represents an untenable standpoint, or at least an exaggeration.”

APEL, Karl-Otto. The Problem of Philosophical Foundations in Light of a Transcendental Pragmatics of Language.

Ainda mais, colocando agora um argumento meu próprio, mesmo com este princípio assumido como verdadeiro, como poderíamos saber se tentar falsear nossas hipóteses nos daria qualquer maior ou menor conhecimento ou certeza sobre a realidade?

Não vejo como isso possa ser provado logicamente, e, mesmo se pudesse, o próprio princípio da falseabilidade iria relativizar a lógica.

O que nos levaria a uma única conclusão: a de que a afirmação de que “tentar falsear nossas hipóteses nos dá algum maior ou menor conhecimento ou certeza sobre a realidade” precisaria, também, ser falseável, fato que encontraria um grave problema.

Já que para que ela pudesse ser falseada ou não, ela mesma teria de ser pressuposta, sendo que a pressuposição dela seria impossível no cenário no qual ela mesma é falseada.

Não, muito pelo contrário, se o princípio da falseabilidade estivesse correto, a única conclusão a partir dele seria de que não seriamos capazes de ter qualquer nível de conhecimento sobre nada, ideia que vejo como absolutamente insana.

Se isso fosse verdade só nos caberia esperar a morte sem fazer nada, já que não poderíamos nem mesmo ter algum grau de certeza sobre nossa própria existência.

Com isso pode-se concluir que o princípio da falseabilidade não pode ser verdadeiro, pois ele mesmo se autorefuta.

Acho importante ressaltar que não estou negando qualquer uso de dados empíricos e experimentos no estudo científico, apenas esta maneira relativista epistemológica de tratá-los.

3. Por que a praxeologia é uma forma errônea de obter conhecimento sobre a realidade humana?

O autor inicia esta sessão afirmando que os argumentos da anterior haveriam falseado a Praxeologia, o que de forma alguma é verdade. Conforme expus aqueles argumentos resultam em absurdos lógicos e refutam a si mesmos.

É afirmado que a Praxeologia não deveria ser aceita por não se sujeitar ao princípio da falseabilidade, princípio que, conforme foi abordado, refuta a si mesmo e consequentemente não pode ser aceito.

O argumento de Apel já deve ser o suficiente para demonstrar como um princípio destes não deve ser aceito.

Além disso, há o fato de que nenhum deles foi realmente provado, muito pelo contrário, as ideias presentes na sessão dois do texto foram simplesmente expostas com muitas citações, sem que nenhuma delas fosse demonstrada como verdadeira.

Outro argumento utilizado é que a Praxeologia se pautaria em nossa “experiência interna e em representações internas” que não contabilizam nosso subconsciente.

Este argumento é uma falácia do espantalho, a Praxeologia nunca busca se basear em “experiências e representações internas” desta forma.

A Praxeologia se baseia sim no seu axioma, que vêm de uma contradição necessária detectada no ato de sua negação, e não de nossas impressões subjetivas sobre.

Com isso conclui-se que o texto da Tábula Rasa carece de capacidade de refutar a Praxeologia.

Aprofundarei o meu próprio agora em minhas sessões próprias.

Sobre o Termo “Ciência” e a Falácia do Equívoco

O texto da Tábula Rasa comete uma séria falácia do equivoco com o uso do termo “ciência”.

Primeiro o termo é utilizado da maneira tradicional, ou seja, para representar o conceito que vem tradicionalmente (desde Aristóteles) sendo representado pelo conjunto de letras “C,I,E,N,C,I,A”, o de um estudo sistemático da realidade, a mesma definição dada por Searle em seu livro Mente, Cérebro e Ciência.

O problema começa depois quando, embora a definição tradicional tenha sido exposta anteriormente, a definição popperiana de ciência começa a ser utilizada sem aviso prévio, com a palavra apenas sendo utilizada para um conceito alternativo, porém dando a entender que se referia ao mesmo.

Este é um claro problema discursivo e lógico, pois viola as regras da argumentação estabelecidas por Alexy e Habermas, mais especificamente a regra 1.3. além de consistir em uma falácia semântica.

Ciência, conforme a definição tradicional, é um estudo sistemático da realidade, algo que é perfeitamente condizente com a Praxeologia, motivo pelo qual chamá-la de pseudociência (como muitos fazem) é uma ação desprovida de qualquer mínimo sentido ou coerência.

Claro, poder-se-ia utilizar a definição popperiana de ciência, que afirma que para algo ser científico este algo deve ser respeitar o princípio da falseabilidade.

Porém, neste caso faria pouco ou nenhum sentido chamar a Praxeologia de um “pseudo-algo”, pois ela nunca se propõe a respeitar o princípio da falseabilidade, muito pelo contrário, o critica e utiliza-se da lógica ao invés do Positivismo ou do Racionalismo Crítico.

Além de que utilizar esta definição de ciência (utilizar a palavra ciência para representar este conceito) é uma ação desprovida de qualquer utilidade, tendo em vista que ao dizer que algo não é ciência a pessoa estaria simplesmente dizendo “este estudo não segue o método que eu aprovo”.

Uma Fundamentação Pragmática e Realista para o Axioma da Ação

O axioma fundamental da ação de Mises nunca buscou se pautar no positivismo, muito pelo contrário, pauta-se na lógica. Desde a época dos gregos a técnica da reafirmação através da negação vem sendo utilizada para se demonstrar premissas e utilizá-las como uma base axiomática.

A técnica, basicamente, consiste em demonstrar que para que possa negar determinada premissa a pessoa deve necessariamente aceitá-la, caindo numa autocontradição, o que torna a premissa inegável.

Mises, seguindo esta linha, utiliza-se muito bem desta técnica para demonstrar o axioma fundamental da ação.

É fato que para negar a Praxeologia é necessário negar o axioma da ação, ou seja, negar que humanos agem. Pois, para que alguma conclusão desta ciência possa estar incorreta, ou sua premissa é incorreta, ou seu processo dedutivo carrega erros lógicos.

No segundo caso, se um erro for identificado, a Praxeologia não é refutada, pois o axioma permanece de pé, apenas a lei econômica específica que foi deduzida erroneamente (o que é perfeitamente possível de acontecer, economistas austríacos discordam entre si muitas vezes por questões diversas e ainda assim permanecem utilizando o axioma da ação em suas deduções).

E, no primeiro caso, se a premissa da Praxeologia, o axioma da ação, estiver errado, a Praxeologia realmente cai por terra, porém isso implicaria que… humanos não agem…

Praxeologia: Humanos não agem?

Agora, me responda: Humanos não agem? Esta ideia parece muito pouco razoável. Um positivista ou um racionalista crítico poderia afirmar que não podemos ter certeza dela e que ela deve ser falseável.

Razoabilidade não é um critério bom o bastante, e ele realmente não é o suficiente para nos dar certeza. Porém não é este critério que Mises utiliza para demonstrar que este axioma é válido, e sim a técnica da reafirmação através da negação.

Para negar que humanos agem o negador precisa, necessariamente, agir, pois estará manifestando sua vontade e escolhendo entre o fim de “não negar” e o de “negar”, caindo, assim, no que Apel e Habermas chamam de uma “contradição performativa”:

“Apel renova o modo da fundamentação transcendental com os meios fornecidos pela pragmática linguística.

Ao fazer isso, utiliza o conceito de contradição performativa, que surge quando um ato de fala constatativo ‘Cp’ se baseia em pressuposições não-contingentes cujo conteúdo proposicional comtradiz o enunciado asserido ‘p’.

Partindo dr uma reflexão de Hintikka, Apel ilustra o significado das contradições performativas para a compreensão de argumentos clássicos da filosofia da consciência com base no exemplo do ‘Cogito ergo sum’.

Se exprimirmos o juízo de um oponete sobre a forma do ato de fala: ‘Duvido que eu exista’, o argumento de Descartes poderá ser reconstruído com a ajuda de uma contradição performativa.

Para o enunciado:
(1) Eu não existo (aqui e agora) o falante ergue uma pretensão de verdade; ao mesmo tempo, ao proferi-la, ele faz uma inevitável predisposição de existência cujo conteúdo proporcional pode ser expresso pelo enunciado: (2) Eu existo (aqui e agora) (sendo que, em ambas proposições, o pronome pessoal refere-se à mesma pessoa).” HABERMAS, Jürgen. Consciência Moral e Agir Comunicativo.

A filosofia pragmática de Apel, Habermas e Hoppe

A filosofia pragmática de Apel, Habermas e Hoppe aprofunda o conhecimento que temos a respeito desta técnica muito bem.

Elas demonstram como uma ideia que não possa ser negada sem que se caia numa contradição performativa é necessariamente condizente com a verdade e os fatos, pois ela é a única resposta logicamente defensável.

Agora, o positivista ou o racionalista crítico poderia dizer: “certo, porém também não concordo que o princípio da não-contradição não é falível”. Parece pouco razoável a ideia de que o princípio da não-contradição não é falível não? Porém razoabilidade não é um critério bom o suficiente.

Felizmente não temos apenas a razoabilidade para o princípio da não-contradição, conforme demonstra Leonard Peikoff, nenhuma negação deste princípio é possível, pois negar ele é afirmá-lo, o que torna ele inegável.

Explico:

É o princípio da não-contradição que estabelece os limites entre cada conceito e sua negação (seu oposto), consequentemente se ele é negado, todos os conceitos podem ser ao mesmo tempo seu oposto.

Agora vamos supor que uma pessoa negue o princípio da não-contradição, vamos supor que ela diga “o princípio da não-contradição é falseável”.

Bom, é exatamente este princípio que estabelece a diferença entre falseável e não-falseável, ou seja, dizer isso seria o mesmo que dizer “o princípio da não-contradição é não-falseável”.

Um exemplo do próprio texto da Tábula Rasa:

“Como visto anteriormente, o objetivo da praxeologia é fundar a economia de modo que seus teoremas fundamentais não estejam sujeitos a um escrutínio empírico, que os pudesse falsear.

Assim, as implicações que a praxeologia permite deduzir acerca da ação humana na economia não podem ser falseadas, mas apenas ‘ilustradas’ pelos acontecimentos empíricos.

Ao contrário disso, a economia neoclássica (mainstream) tem um compromisso com a falseabilidade, criando-se hipóteses que estão sujeitas a teste empírico.

Logo, conforme o que foi exposto em 2.2, a praxeologia não deve ser aceita, mas a economia neoclássica mainstream (sujeita às críticas científicas pertinentes, quando houver) sim.”

Este trecho apresenta diversos conceitos.

Se o princípio da não-contradição não é respeitado todos estes conceitos poderiam ser trocados por seus opostos sem que a sentença tivesse qualquer diferença, farei isso com alguns deles:

“Logo, conforme o que não foi exposto em 2.2, a praxeologia deve ser aceita, mas a economia neoclássica mainstream (sujeita às críticas científicas inpertinentes, quando houver) não.”

Observe que apenas troquei os conceitos de “ser” (foi) por “não ser” (não foi), “não deve” (ser aceita) por “deve” e “sim” (a economia mainstream) por “não”.

Se o autor do texto Contra a praxeologia, a favor da ciência negar o princípio da não-contradição ele é obrigado a aceitar que sua conclusão não significa nada mais, nada menos, que aquilo que foi escrito na última frase destacada.

E se ele aceitar o princípio da não-contradição ele será obrigado a aceitar o axioma da ação e, consequentemente, Praxeologia como um todo.

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Referências

  • John Searle — Mente, Cérebro e Ciência
  • Ludwig von Mises — Ação Humana
  • Murray Rothbard — Praxeologia: o método dos economistas austríacos
  • Hans Hermann Hoppe — A Ciência Econômica e o Método Austríaco
  • Karl-Otto Apel — The Problem of Philosophical Foundations in Light of a Transcendental Pragmatics of Language
  • Jürgen Habermas — Consciência Moral e Agir Comunicativo
  • Marian Eabrasu — Uma Resposta às Críticas Correntes Formuladas Contra a Ética Argumentativa Hoppeana
  • Robert Alexy — Teoria da Argumentação Jurídica
  • Richard Hammack — The Book of Proof
  • Leonard Peikoff — Objectivism the Philosophy of Ayn Rand
  • Leonard Peikoff — Aristotle the Father of Logic (trecho de seu curso sobre a história da filosofia)

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