Agorismo em Série: O Princípio Econômico do Valor

Taiane Copello
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Carioca, 22 anos, estudante de filosofia na UFRJ, escritora de artigos da Universidade Libertária, ex-coordenadora do projeto LibertaRio e do Grupo de Estudos Walter Block. Palestrou na Frente Libertária; publicou um artigo na Revista Pontes sobre filosofia austríaca; escreve monografia sobre Praxeologia; tem mais de dois mil e duzentos seguidores no twitter onde posta com frequência conteúdo libertário e demais temas que envolvam filosofia e economia.

O princípio econômico que vamos falar é o valor. Mas, antes de falar efetivamente de valor, precisamos entender um dos principais conceitos da Escola Austríaca de Economia, o axioma da ação humana. Proposto por Mises, ele é a base da praxiologia, o estudo da ação humana, que serve como fundamento para o entendimento da escola austríaca.

Este axioma, isto é, um fato auto evidente, diz que “as pessoas agem conscientemente para sair de uma situação de menor satisfação para uma situação de maior satisfação”. Essa afirmação é uma axioma porque se a pessoa considerasse que a ação dela vai levar para uma situação de menor satisfação, ela não faria. E isso é verdade em todos os casos. Você pode até dizer que uma pessoa pode se mutilar ou se machucar, mas ainda assim, ela está fazendo aquilo porque considerou que, naquele momento, isso deixaria ela em uma melhor situação que a atual. E o que isso tem a ver com o valor das coisas? Simples: em um mundo de bens escassos – o que, por sinal, é o campo de estudo da economia – as pessoas podem escolher entre diversos recursos escassos e diversos objetivos, quais elas vão perseguir.

E essa pessoa pode ter sucesso em seus objetivos ou não, mas isso não é relevante para nós, porque não temos como julgar o que é um resultado satisfatório ou não. Então, quando vai agir, a pessoa escolhe aqueles recursos que são mais importantes para ela atingir o objetivo escolhido.

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É daí que se origina o valor das coisas: dessa preferência que as pessoas tem pelo recurso que vai permitir ela atingir seus objetivos. Mas note uma questão interessante: não é possível dar um número, um índice, para essa preferência. É possível apenas ranquear essas preferências. Não é possível eu mensurar e dizer que prefiro 3 vezes mais prato de macarrão em relação a um prato de arroz. Eu consigo apenas dizer que prefiro um prato de macarrão a um prato de arroz.

Além disso, essa ordem de preferência muda de pessoa para pessoa e de momento para momento. Eu posso preferir macarrão hoje, mas depois de alguns dias não querer mais macarrão, preferir arroz. Por esse motivo, além de ser impossível mensurar o valor, é impossível compará-lo entre pessoas diferentes.

A única coisa que podem fazer é ranquear essas preferências. É por esse motivo que dizemos que o valor subjetivo, ele depende de pessoa para pessoa e também ao longo do tempo. E aqui, por consequência disso, temos uma conclusão muito importante: as trocas voluntárias só acontecem porque o valor é subjetivo.

Isto é, uma troca só acontece porque uma parte prefere mais o que está recebendo do que o que está entregando. E o oposto para a outra parte. Considere alguém que está comprando um biscoito por 5 reais: a troca apenas acontece porque o comprador prefere o biscoito aos 5 reais. Já o vendedor só vende porque prefere os 5 reais ao biscoito. Se qualquer uma dessas duas premissas não for verdadeira, a troca voluntárias só acontecem porque o valor é subjetivo.

Isto é, uma troca só acontece porque uma parte prefere mais o que está recebendo do que o que está entregando. E o oposto para a outra parte. Considere alguém que está comprando um biscoito por 5 reais: a troca apenas acontece porque o comprador prefere o biscoito aos 5 reais. Já o vendedor só vende porque prefere os 5 reais ao biscoito. Se qualquer uma dessas duas premissas não for verdadeira, a troca voluntárias simplesmente não acontece.

Isso é muito importante porque demonstra os erros de todas as teorias de “exploração”, de que as pessoas são exploradas pelo capitalismo e pelas trocas
voluntárias não-reguladas. As pessoas fazem trocas porque elas preferem essa nova situação, não porque elas são obrigadas a fazer de outra forma. Exatamente o contrário do que as políticas socialistas fazem, e exatamente porque o socialismo não respeita o livre-arbítrio e a liberdade.

Portanto, podemos dizer que o valor é dado pelos consumidores em sua ordem de preferência de seus objetivos, que então dão valor para os bens escassos para atingir estes objetivos. Com base no valor dado a esses bens de consumo escassos, o valor dos bens anteriores na cadeia produtiva são definidos. Entretanto, mesmo bens exatamente iguais não são valorados de forma igual. Isso acontece devido à utilidade marginal, que vamos falar em nosso próximo artigo.

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REFERÊNCIAS

KONKIN, Samuel. O Manifesto do Novo Libertário. Artigo publicado pela Libertyzine. 16 de março de 2017.

Agorismo: Liberdade Na Prática. Roteiro. Curso da Universidade Libertária. Sessão 1: Introdução; Sessão 2: O Que É O Agorismo?

Pesquisa: “Quem foi Samuel Edward Konkin III?”, em 14 de janeiro de 2021. Acesso em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Samuel_Edward_Konkin_III.

Pesquisa: “valor subjetivo”, em 15 de março de 2021. Acesso em: https://pt.wikipedia.org/wiki/valor_subjeivo.

 


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