Libertarianismo e Valores

Muitos aqui eram libertários e deixaram de ser. Sabe o que me diverte? Ser libertário é uma sacada. Ser libertário é sobre uma percepção que vêm da estrutura de constructos mais elementares: vida, liberdade e propriedade.

Essa sacada diz o seguinte: essa estrutura de constructos não pode ser relativizada, sem que pra isso, outros conceitos como justiça, verdade e humanidade sejam relativizados.

Toda e qualquer abstração que se proponha a fazer uma hermenêutica não libertária com a sua vida, não só abre precedentes perigosos, mas será imediatamente falsa. Isso porque a vida é sobre seu futuro e ninguém pode prever o que será do futuro de alguém, ou precificar isso, toda tentativa nesse sentido será falsa.

Toda e qualquer abstração que se proponha a fazer uma hermenêutica não libertária com a sua propriedade, não só abre precedentes perigosos, mas será imediatamente injusta. Isso porque sua propriedade é sobre o seu passado e é a maior prova do seu rastro na terra, estando exposto nas coisas que conquistou e nas modificações que fez na realidade, toda tentativa nesse sentido será injusta.

Toda e qualquer abstração que se proponha a fazer uma hermenêutica não libertária com a sua liberdade, não só abre precedentes perigosos, mas será imediatamente desumana. Isso porque sua Liberdade é sobre seu presente e o presente é a maior dádiva possível, seu único elemento de modificação do futuro, fruto do seu livre-arbitrio, fruto do ser humano como ser operador da realidade e como passível de significação. Toda e qualquer tentativa nesse sentido será desumana.

O libertário de verdade é o que ao perceber essa raiz hermenêutica temporal necessária da tríade liberal, olha pra dentro do seio da sociedade e o aplica até as últimas consequências. Toda e qualquer ação agora precisa possuir sempre moldes na razão, sob pena de ser injusta, falsa e desumana.

A consequência disso é inevitável, as explicações simplesmente não são boas o bastante. O mundo como ele é, simplesmente não possui as respostas para as perguntas que o libertário faz.

Logo você passa a identificar inimigos ferrenhos no estado e em sua expressão última de dominação: o discurso político ideológico. O estado é uma gangue. Essa é a fase do ódio a todo e qualquer político.

Imposto é roubo, por ser injusto, falso e desumano. Sua alternativa é imediatamente idealizar aquilo que aqui ficou famoso como “Ancapistão“.

Um local em que o tempo não se dobre diante dos desígnios de uma parcela de expropriadores, não uma comunidade perfeita, mas uma temporalmente contida. Com bases em como as coisas são.

Se ele for suficientemente esperto pra ler os livros certos, imediatamente perceberá que existe um segundo elemento aqui que é evidentemente constrói a sociedade junto com o tempo. Esse elemento é o amor.

O amor é a consideração mercadológica primeira: os seres humanos possuem forte ímpeto de construir laços de confiança e de interação com outros e por algum motivo que utilitarista nenhum consegue explicar, hesitam em quebra-los em sua esfera pessoal.

Esse amor pode ser lido mais a fundo ainda. Ao enxergamos a teia social, percebemos que o amor leva a maior parte dos seres humanos a serem em suas ações práticas, profundos respeitadores do tempo. Essa constatação levada a cabo lhe demonstra que o ancapistão já existe.

A partir daí, lhe resta identificar que o estado não existe. Afinal, como poderiam duas macro-estruturas simultâneas e opostas ocuparem o mesmo espaço social? O que existem são pessoas injustas, falsas, desumanas e impassíveis de amor.

É. Seja do ponto de vista da percepção racional, de uma análise bíblica ou de uma intuição social, essas características me parecem contidas no âmago da sociedade.

A missão do libertário é então contra a falsidade, injustiça, ódio e tudo aquilo que nos afaste da Humanidade. Dizer que abandonou essa missão, que um dia apoiou isso e não apoia mais, é típico de alguém que nunca entendeu a sacada.

Agora, cabe aqui responder a aqueles que forem dar conceitos diversos dos libertários:

Uma liberdade das próprias fundamentações do que define a liberdade. Uma liberdade última. Essa é a liberdade socialista. A percepção de que o homem é mais complexo que seu passado (expresso em relações materiais) e que portanto pode supera-lo. A esses eu digo: o tempo não pode ser ignorado, ainda que você queira. Ele é senhor do mundo e continua a correr enquanto discutimos, seu futuro já é passado para ele.

Uma liberdade restrita em prol da propriedade é negar o presente em prol do passado e limitar o futuro. Um estado menor com a intenção de proteger sua propriedade lhe tira seu aspecto humano de ser verdadeiramente completo e ativo no seio social. Aquilo que nos faz humanos nos trouxe até aqui e negar isso é negar a si mesmo.

Negar o mercado é negar uma expressão do amor. O anarquismo identifica problemas sem entender que não são as livres trocas que os provocam, mas estruturas superiores de poder que deturpam as mesmas. Nesse sentido é deturpar o amor querer abolir a capacidade de interação livre.

Libertários vocês de fato não foram. Nunca entraram a fundo nas premissas aqui apresentadas, que possuem centenas de filósofos para cada afirmação minha feita aqui e ao adquirir mais conhecimento, imediatamente mudaram suas posições porque não perceberam que lá no fundo, libertarianismo é sobre valores, então nunca os cultivaram.

Eu sou libertário e não o faço por ser burro. Eu sou libertário e não o faço por ser idealista. Eu sou libertário e não o faço por ser inocente.

Eu sou libertário porque sou Humano. 

Eu sou libertário porque busco ser Verdadeiro.

Eu sou libertário porque busco ser Justo. 

Eu sou libertário porque Amo. E isso, estado nenhum, deturpação nenhuma, utilidade nenhuma, fim nenhum poderá mudar. Don’t Tread On Me.

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